Pregando aos samaritanos

Eber Jamil

Creio que a inimizade entre judeus e samaritanos nos tempos bíblicos seja, em boa parte, o reflexo do pecado de Israel. Os samaritanos foram fruto da divisão ocorrida no reino de Israel. Foi o produto duma mistura de raças, levado a efeito pelo rei da Assíria, Sargão II, que ao conquistar o Reino do Norte (chamado de Israel) em 722 a.C. levou o povo de Israel para o cativeiro. Os demais que ficaram na terra foram misturados com outros povos, pois o Rei estrategicamente enviou-os para a região a fim de enfraquecer a identidade do povo de Israel (2 Rs 17:24). Esses povos de descendência mista acabaram sendo chamados de Samaritanos. O preconceito e a inimizade ficaram latentes entre esses povos. Quando Neemias retornou a Jerusalém para reconstruir os muros da cidade, os samaritanos tentaram de diversas formas impedir a sua reconstrução.

Flávio Josefo conta que no período interbíblico (entre os dois Testamentos), os samaritanos invadiram o templo de Jerusalém e jogaram ossos, cometendo um tremendo ato de sacrilégio na perspectiva dos judeus. Como vingança, os judeus passaram proferir maldições com as mãos direcionadas à região dos samaritanos.

Nos tempos de Jesus havia uma ambiência hostil entre os dois povos. Entretanto, Jesus quebrou a barreira de inimizade passando por Samaria durante seu ministério. Pediu ajuda a uma samaritana e conversou com ela (Jo 4); ficou dois dias em Samaria ganhando seguidores; criou e contou a parábola do “bom samaritano” (Lc 10:30); curou dez leprosos, sendo que um deles era samaritano (Lc 17:12-18); repreendeu a Tiago e João, que queriam pedir fogo do céu para queimar os samaritanos (Lc 9:51-56). Ao fazer a promessa do derramamento do Espírito, Jesus diz que a Igreja receberia poder para testemunhar também em Samaria (At 1:8). Era o último lugar que o judeu gostaria de ir, mas Jesus incluiu os samaritanos na missão da Igreja. No começo do cristianismo muitos samaritanos foram convertidos pelo ministério de Felipe (At 8:4-25).

Quem para nós é como um samaritano? Temos pregado para eles? Para quem desejamos o fogo divino e não o perdão divino? Desejamos sobre eles a benção de Deus? Ou o juízo? O poder o Espírito é também poder para perdoar os desafetos. Somos embaixadores da reconciliação, e Deus quer a reconciliação com Ele e com o próximo também. Façamos um exame pessoal e vejamos quem é para nós como samaritanos. Quem são eles para nós? O desejo de Deus é que alcancemos também a Samaria. Vençamos a hostilidade, a inimizade e alcancemos o campo missionário que, muitas vezes, está inalcançável por causa da nossa hostilidade e porfia. “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em (…) Samaria, como até aos confins da terra”.

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