A era do medo

Autor: Vinicius O. S. Guimarães

Ao longo da história do cristianismo varias teologias foram sedimentadas para fortalecer a fé cristã, defender os princípios bíblicos e conhecer mais de Deus. Todavia, não podemos negligenciar o grande número de teologias inventadas exclusivamente para favorecer vontades humanas de lideres eclesiásticos e/ou denominações.


O cristianismo é a fé fundamentada em Jesus Cristo, não em conceitos e filosofias humanas. A partir do momento que se inverte os valores, o homem sendo à base do cristianismo, o resultado é uma fé morta e sem frutos. Conseqüentemente se tem uma teologia fraca e raquítica.


Nesse pacote de heresias pode-se encontra a “teologia do medo”. Defini-se como sendo a ênfase exaustiva na condenação humana, no castigo eterno e na intolerância divina, tendo por objetivo promover possíveis conversões.


Reflita um pouco sobre as pregações contemporâneas. As mensagens atuais, em sua grande maioria, têm a ênfase na condenação humana. Não estou dizendo com isso que não temos que exortar, disciplinar, acreditar no inferno e conscientizar as pessoas sobre a condenação eterna. Entretanto, esta não é a essência do cristianismo, então, não deve ocupar a primazia nos cultos.


A teologia do medo, na verdade, é uma inversão de valores. O ser humano tem que se converter por amor a Cristo e não pelo medo de ir para o inferno.


A história secular nos dá grande exemplo da força intrínseca na teologia do medo. No findar do ano de 999 relatam-se inúmeras conversões. As igrejas transbordavam de pessoas, tudo porque pensavam que o mundo acabaria naqueles dias. Após alguns anos as igrejas ficaram praticamente vazias, pois as pessoas foram para as igrejas com medo do inferno, não por amor a Cristo ou consciência da necessidade de mudança.


No final de 1999 presenciamos outra onda “terrorista cristã”. Os precursores da teologia do medo propagavam que o mundo acabaria na virada. Novamente as igrejas encheram e incontáveis pessoas se converteram. Contudo, ao se passar alguns anos as igrejas se esvaziaram, pois a essência das conversões foi adulterada, acrescentando-se o medo como principal ingrediente.


Nostradamos foi o próximo que por tabela influenciou as conversões de uma determinada época, pois ele “profetizou” a data em que o mundo acabaria. A conseqüência foi à esperada, ou seja, conversões aos montes. Milhares de decisões em todo o mundo, mas novamente o mundo não acabou e ninguém mais, aparentemente, corria o risco de ir para o inferno, então, as igrejas perderam vários membros.


O atentado de “11 de setembro” também entra para a nossa galeria da teologia do medo, pois após o ato terrorista as igrejas norte-americanas se encheram quase que instantaneamente. Todavia, após poucos dias o inevitável aconteceu, vários deixaram a fé cristã. Isso ocorreu, pois as pessoas procuraram as igrejas pelo fato de sentirem medo da morte e pavor da conseqüente possibilidade de passar a eternidade no inferno.


Conversões fundamentadas no medo têm efeito em curtíssimo prazo. O máximo que se consegue formar é uma geração de medrosos e fracos espirituais. O medo promove conversões momentâneas, mas o amor de Cristo restaura o ser humano para toda a eternidade.


Jesus nunca usou o medo para alcançar as vidas, pelo contrário, Ele sempre usou o amor para conquistar os corações. A mensagem que temos a anunciar ao mundo é o amor incondicional de Cristo pela humanidade, conscientizando-os da necessidade de arrependimento.


O amor sempre vencerá o medo. Confirmando assim as palavras de João, em I Jo. 4:18,19: “No amor não há medo; antes, o perfeito amor expulsa o medo. O medo implica castigo; logo aquele que tem medo não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque Deus nos amou primeiro”.


Que possamos repensar nossos conceitos e valores antes que sejamos conhecidos como a geração da era do medo.


Que Deus nos ajude!
 

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